31 de maio de 2010

Tudo parado

A inspiração anda fraca por aqui. Normalmente eu tenho um tema, uma ideia, um acontecimento para explorar aqui, mas nos últimos dias, nada. Talvez pela quantidade de coisas mais urgente, digamos, que ocupam minha cabeça nos últimos dias. 
Preciso terminar algum dos livros que comecei, daí as ideias voltam. Também posso ver um bom filme, que seja inspirador. Também preciso do feriado, esse sim, revigorante.

Hoje, ao som de The Clash - I fought the law, genial: http://www.youtube.com/watch?v=16u0wwCfoJ4

27 de maio de 2010

House

A sexta temporada de House acabou na semana retrasada, debaixo de severas críticas por parte de muitos fãs. Essa situação foi um pouco amenizada pelo episódio final, mas quando se fala de um balanço geral, digamos assim, dessa última temporada, existem mais críticas do que elogios.
Quem acompanha a série desde o início, acostumou-se com um personagem que praticamente não mudou nas três primeiras temporadas. Nem o personagem, nem as situações. Caso você resolva fazer uma maratona e assistir direto essas três, dará muitas risadas, mas ficará cansado. Apesar do humor negro e das demais características do personagem estarem muito afiadas, 90% dessas temporadas resumem-se a resolução de casos de maneira quase inexplicável pelo médico, junto com insultos, deboches e remédios. No meio disso tudo, um ou outro episódio que explore a vida dos médicos ou do prórpio House. De uma maneira bem inteligente, os roteiristas sempre deixaram esses episódios para o final da temporada, e funcionava.
Quando a terceira temporada acabou, deu-se a primeira grande mudança, muito bem arquitetada. A quarta foi diferente, centrada na escolha de uma nova equipe médica, mas sem que os personagens da antiga fossem retirados do seriado. Essa temporada foi mais curta por causa da greve dos roteiristas e teve um final hiper comovente.
A quinta começou e terminou de maneira brilhante, mesmo. Acho que foi uma temporada perfeita. Por isso mesmo, esperava-se demais da sexta, que começou exatamente como os fãns imaginavam, com um episódio inicial duplo, espetacular. Porém, com o passar dos episódios, conduziram a trama por um sentido de "redenção" do personagem, uma busca por mudança de atitudes e da própria personalidade do House. 
Esse foi o ponto de discórdia, a raiz do problema. Muita gente detestou isso e, realmente, em alguns momentos essa nova situação ficou muito chata, como se a série estivesse descaracterizada. Em alguns outros episódios, por outro lado, montavam situações "à moda antiga". Enfim, essa indefinição de caminhos prejudicou o rumo da sexta temporada. Ao meu ver, os 4 ou cinco primeiros episódios foram muito bons, mesmo, seguidos de uns 10 indefinidos e pouco empolgantes e os últimos 6 ou 7 melhoraram. Pela primeira vez, uma temporada teve um final feliz, o que agradou muita gente e me desagradou um pouco. Entretanto, pensando bem, se tivesse acabado de maneira triste, cairia no mal da repetição, então foi uma boa escolha.
Enfim, acho que o seriado tem todo o crédito do mundo e aposto que a sétima será ótima, no mesmo nível, ou melhor do que foi a quinta. É esperar pra ver.

26 de maio de 2010

Sobre LOST, seu final e as reclamações dos telespectadores

Muitas pessoas no mundo tem problema de falta de atenção, dificuldade de concentração, precisa se esforçar para compreender certas relações, enfim, dificuldades mil. Só não entendo como alguém consegue ser tão lerdo das ideias por seis anos seguidos. É o caso de milhares, talvez milhões, de telespectadores do Lost, infelizmente.
Todo mundo tem o direito de não gostar do final da série, de dizer que algumas coisas ficaram sem explicação, que alguns elementos poderiam ter tido mais destaque, enfim, qualquer crítica nesse sentido. Não sei porque, boa parte das críticas que saíram por aí demonstram que as pessoas NÃO ENTENDERAM a proposta do seriado. Aí, das duas uma: ou é meio leso da cabeça mesmo, ou não acompanhou as seis temporadas. A particularidade do Lost é justamente um episódio depender do outro, tudo estar conectado, direta ou indiretamente. Se você não viu uma temporada, danou-se.

Bom, vamos ao que me recordo de ter visto ou sentido falta:

1) Achei que deveriam ter explicado melhor a sabedoria da Eloise. Ela sabia demais, o tempo todo, e não foi bem dito exatamente como. Isso nem era fundamental para a história, mas acho que poderia ter sido mostrado.
2) Podiam ter explicado um pouco melhor o motivo do irmão do Jacob ter assumido a forma de uma fumaça preta quando caiu na caverna. Tipo, o motivo daquela forma especificamente, o porque dele não atravessar cinzas ou a água. Também não era fundamental, mas podiam ter dito.
3) Podiam ter explicado como o homem fumaça foi parar no cargueiro quando o Michael morre, isso acho que ficou falho. Deviam ter uma determinada ideia que ficou pelo caminho e resolveram ignorar.
4) Ponto fundamental: a ilha não era o purgatório e eles não estavam mortos. Tudo aconteceu, foi real. Ponto final, faltou prestar atenção mesmo.
5) Os números eram relacionados aos candidatos, apenas isso. Quando Jacob fez sua lista, atribuiu um número para cada sujeito. Pronto. O fato deles aparecerem tanto na primeira temporada e serem a combinação da escotilha foi só um meio que os roteiristas acharam para explorá-los e despertar a curiosidade do público, nada mais (e nada de equações sobre o fim do mundo).
6) A cabana era usada pelo homem de preto. Ponto. Foi ele quem disse "help me" para o Locke na terceira temporada. Foi ele quem Hugo viu, no começo da quarta. Isso fica meio óbvio quando a Ilana vai lá com sua trupe e concluem que o local não era mais usado por Jacob. Quando Cristian fala pro Locke que ele deve mover a ilha, obviamente era o homem de preto mentindo.
7) A Dharma e os egipcios que construiram o templo e a estátua na qual Jacob morava foram trazidos à ilha, ou pelo próprio Jacob ou por algum acidente. Passaram um tempo na ilha (sabe-se lá quanto) e foram embora, ou morreram. Isso fica subentendido pelo contexto da série. Provavelmente os egipcios criaram os desenhos que retratavam o homem fumaça nos templos porque ele devia "assombrá-los", como fez com todos os que viveram na ilha.
8) Walt e Aaron saíram da ilha. Simples assim, ponto final.
9) Os ursos polares foram levados pela Dharma e o que estava no deserto foi posto no túnel/poço/estação Orquídea para mover a roda, como experiência. O resultado exato ninguém sabe e nem é relevante.
10) Quando o Cristian diz ao Jack, no final do último episódio "não existe 'quando' aqui", ele se referiu à passagem de tempo naquele mundo paralelo (e esse sim talvez possa ser chamado de purgatório). Não se sabe quando Kate, Claire, Sawyer e Lapidus morreram, pode ter sido 50 anos depois de ter saído da ilha. Assim como não se sabe por quanto tempo Hurley e Ben ficaram na ilha (e nem tem como medir o tempo direito lá), pode ter sido por séculos. A ideia final é que a queda do avião e tudo que passaram na ilha foi o momento mais importante da vida de cada um por isso sua passagem para o outro mundo deveria ter sido feita com todos juntos.
11) Os seriados tem contratempos. Salvo engano, os atores que interpretavam Libby e o Mr. Eco tiveram problemas de relacionamento, ou com o salário, e foram desligados da série. Ninguém contava com isso e com a saída deles ficou mesmo um buraco que tiveram que dar um jeito de tapar. Nesses casos, a trama sofre um abalo e pode ficar com um furo mesmo, nada culpa dos roteiristas.

Bom, ficou enorme, mas era isso. Pelo menos, eu disse =D
No próximo, vou comentar o House, que concluiu sua sexta temporada.

24 de maio de 2010

LOST

E domingo, ontem, acabou, de uma vez por todas, a série mais interessante de todos os tempos.
Não faz muito tempo que comecei a acompanhar seriados, e nem fazia tanto tempo que eu via Lost. Comecei a ver em janeiro de 2009 e, por ser muito boa e por eu seria patologicamente curioso, não parei mais. Como todos, levantei hipóteses, elaborei teorias, pensei em possibilidades e, como todos, eu estava sempre errado (mas algumas vezes cheguei bem perto!).
De qualquer forma, o final não deixou a desejar. Claro, podiam ter elementos a mais, situações que não foram explicitadas, enfim, acho que faz parte da ideia dos caras que pensaram a série. De qualquer forma, amarraram tudo, conseguiram fazer surpresas e conseguiram, de novo, cenas extremamente emocionantes. 
Quem viu ao longo dos seis anos deve sentir-se recompensado com o final. Quem viu como eu, quatro temporadas em um mês e acompanhou de perto das duas últimas, também. Não acho que tenham se perdido e acho que foram brilhantes. Desde sempre envolveram as pessoas, incitaram a curiosidade, despertaram raivas, foram engraçados, enfim, souberam a dose certa de cada elemento.
Muito bom! Vale a pena ter as seis temporadas em casa e rever e rever e rever...

20 de maio de 2010

Cara nova!

Vejam só como o visual aqui mudou. Bem melhor né? Todo o mérito é de uma aluna chamada Bárbara, que entrou neste blog e achou o layout ruim. Enfim, realmente estava, mas como não tenho nenhum talento para montar meu próprio layout e aquele havia sido o que eu mais tinha simpatizado, nem estava preocupado em deixar o blog mais bonito.
Eis que ela viu, chamou minha atenção via Twitter e eu disse que o layout só mudaria se ela fizesse um novo. Nem tinha acreditado que ela se disponibilizaria a fazer isso, afinal, já tem tarefas suficientes. e deve passar o tempo fazendo qualquer outa coisa que não montar layout para professores. Para minha surpresa, ela disse que faria e apenas pediu um tema. Ocorreu-me que deveria ser algo relacionado ao rock dos anos 50, 60, talvez 70, e deixei o resto por conta da criatividade.
O resultado está aí, muito muito bom. Gostei muito, mesmo. Muito obrigado Bárbara!
Quem quiser acompanhar um pouco das ideias desta queridíssima e genial (mesmo!) pessoa, minha aluna, acesse a página dela no twitter - www.twittter.com/Babith 

Nota: tem gente que é tão legal (e merece tantos elogios), mesmo, que quando vira ex-aluno(a) continua a ser chamado de aluno(a). Sei lá, não dá vontade de largar, de deixar ir embora.

18 de maio de 2010

Eu aposto no hexa!

A imprensa me irrita, constantemente. Quem não tem discernimento para saber o que é sensacionalismo e bairrismo também. Dias atrás saiu a convocação da seleção brasileira para a Copa e foi aquele bando de discursos toscos e comentaristas fajutos fazendo comentários cretinos.
Claro que um ou outro jogador não deveria ter ido, claro que bons jogadores sempre ficam de fora, mas isso não quer dizer teimosia o, pior ainda, incompetência. Quando Dunga assumiu, era um técnico inexperiente, fato. Também tinha uma propensão muito forte à retranca, fato. Mas nos 3 anos e meio, o cara ganhou as eliminatórias (dando uma surra na Argentina e goleando o Uruguai, ambos em suas casas lotadas), ganhou a Copa América e a Copa das Confederações, jogando bem, inegavelmente.
Qualquer seleção pode perder, faz parte. Os gênios de 82 e 2006 perderam, e perderam feio, não adiana amenizar. O melhor batedor de faltas e pênaltis do mundo amarelou em 86 (e dão um monte de desculpas porque ele é carioca). Os cavalos de 94 ganharam, sem show, mas ganharam (tudo bem, a final não precisava ter ido para os pênaltis, mas beleza).
Na convocação o Dunga fez o que se esperava, nenhuma novidade e foi coerente com seu discurso de coerência. Essa seleção não vai badalada, não vai ser mascarada e vai jogar séria, comprometida, o que é sim o primeiro passo pra ganhar. Aposto que essa coerência toda do técnico vai refletir em título, e se isso acontecer, seria muito justo ele chegar na coletiva a mandar todos os pseudocomentaristas, jogadores  frustrados e repórteres que nunca jogaram bola enfiarem as críticias lááá naquele lugar.

2 de maio de 2010

A entrevista mal feita

Durante a semana foi divulgado que hoje haveria uma entrevista com Roberto Baggio em um programa esportivo que passa todo domingo de manhã. Aguardei anciosamente o evento e interrompi minha correção de provas para ver a tal entrevista.
Roberto Baggio foi um dos principais nomes do futebol mundial nos anos 90. Apareceu lá por 88 ou 89 no campeonato italiano e já disputou a copa de 90. Em 1993 foi considerado o melhor jogador do mundo pela FIFA; na copa de 94, perdeu  último pênalti da decisão e sua carreira parecia que ia desmoronar. O cara conseguiu se reerguer e jogou a copa de 98, e jogou bem. Enfim, um sujeito desses tem muita história pra contar, sabe tudo de futebol, viu e fez coisas que pouquíssimos viram e fizeram. Na Itália o cara é uma quase uma lenda. Quando eu era criança muita gente brincava de ser o Baggio. Isto posto, vamos à entrevista.
Se for pra classificar a entrevista em uma palavra seria "decepcionante", e se fosse pra classificar o repórter ou o editor, seria "incompetente". Perguntaram 10 mil vezes sobre o maldito pênalti que ele errou, da sensação, se ele tem raiva do Brasil e mais um monte de blá blá blá, sem ter nenhuma pergunta que prestasse, que explorasse o entrevistado. Com um cara como o Baggio dava pra fazer um programa de uma, duas horas.
Às vezes dá vontade de pedir um emprego de elaborador de perguntas lá na maior emissora do país viu. Sério, qualquer macaco faria melhor do que isso. E não foi a primeira nem a segunda grande oportunidade que perderam.
Lamentável.

28 de abril de 2010

O mundo não se acabou

O mundo não se acabou - Assis Valente


No último post mostrei a música do Paulinho Moska, O Último Dia, na qual o compositor levanta alguma hipóteses sobre o que se faria se o mundo fosse acabar. Com um tom mais humorístico, Assis Valente também cantou o fim do mundo, ou pelo menos um dia que ele imaginava que o mundo acabaria e não acabou.
A música original é de 1938 e fala sobre um carioca que resolveu aproveitar a vida crente que o mundo acabaria. Bom, obviamente ele não acabou e ele se deu mal. Uma versão bem bacana dessa música fio feita por Ney Matogrosso, no disco Batuque. Nele, o cantor regravou diversos sambas antigos, antigos mesmo, décadas de 20, 30 e 40 - recomendadíssimo. Essa mesma música já foi regravada também pela Paula Toller e pela Adriana Calcanhoto.
Não conheço nada de Assis Valente, o compositor, fora essa música, estou até interessado e vou dar uma procurada. Abaixo, a letra:

Anunciaram e garantiram que o mundo ia se acabar
Por causa disso a minha gente lá de casa começou a rezar
E até disseram que o sol ia nascer antes da madrugada
Por causa disso nessa noite lá no morro não se fez batucada
Acreditei nessa conversa mole
Pensei que o mundo ia se acabar
E fui tratando de me despedir
E sem demora fui tratando de aproveitar
Beijei na boca de quem não devia
Peguei na mão de quem não conhecia
Dancei um samba em traje de maiô
E o tal do mundo não se acabou
Chamei um gajo com quem não me dava
E perdoei a sua ingratidão
E festejando o acontecimento
Gastei com ele mais de quinhentão
Agora eu soube que o gajo anda
Dizendo coisa que não se passou
Vai ter barulho e vai ter confusão
Porque o mundo não se acabou
Obs 2: mais sobre Assis Valente em http://www.mpbnet.com.br/musicos/assis.valente/

27 de abril de 2010

O último dia

Paulinho Moska - O Último Dia

Não tenho muita noção de que tempo é essa música, nem em que período Paulinho Moska fez um rápido sucesso na mídia brasileira. Lembro que ele tinha algumas boas músicas - como esta que falo hoje, o Alvo e a Seta e Pensando em Você, mas também não sei o motivo de seu desaparecimento. Acredito que tudo tenha acontecido lá por meados dos anos 90, talvez entre 1995 e 1999, mas sem certeza. 
De qualquer forma, essa música que vou postar abaixo traz um pensamento que acho muito bacana: e se você soubesse, com toda a certeza, que o mundo iria acabar em um determinado dia, em uma determinada hora, o que você faria? Na verdade, acho que não há como prever uma resposta, mas imagino que tudo seria tomado pelo caos e pela insanidade. Seria gente brigando, se beijando, se declarando, correndo, chorando, enfim,  catastrófico. Seria interessante ter sangue frio para sentar a observar a situação, mas aí quem saíria perdendo é você, que não estaria aproveitando o fim do mundo. Segue a letra:


Meu amor
O que você faria se só te restasse um dia?
Se o mundo fosse acabar
Me diz o que você faria

Ia manter sua agenda
De almoço, hora, apatia
Ou esperar os seus amigos
Na sua sala vazia


Corria prum shopping center
Ou para uma academia
Pra se esquecer que não dá tempo
Pro tempo que já se perdia


Andava pelado na chuva
Corria no meio da rua
Entrava de roupa no mar
Trepava sem camisinha


Abria a porta do hospício
Trancava a da delegacia
Dinamitava o meu carro
Parava o tráfego e ria

Obs: entre todas as estrofes ele repeta a parte do "meu amor, o que você faria?" e como repetição fica muito melhor na versão cantada, retirei.
Obs 2: a foto eu retirei de https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEicLZOVxTQ_nWVZyRXToEKTofSKWX9a5A-qmk67Icfl8iyYJD2_Khz3p1-7ZsXrJ9CEBjcGxDwblUzB6iH0gua0Rz-TeyVOQQnWSGDYKC7oAC8BcrptOZLKGCzU7VQRUT62znRRqFPgsUhS/s400/fim+do+mundo.jpg
Obs 3: a letra foi retirada do www.letras.terra.com.br

24 de abril de 2010

Um mínimo sobre Leminski

Paulo Leminski, curtibano (1944-1989).

Nunca fui fã de poesia. Aliás, nunca gostei mesmo, nunca tive paciência, nunca me chamou a atenção. Talvez pela poesia ser associada ao romantismo, ou pelo menos para mim sempre foi - isso sim deve ser culpa de algum professor de literatura da época da escola. Digo que sempre me pareceu associada ao romantismo porque sempre tive a imagem dos poetas como seres terrivelmente apaixonados, que vivem a sofrer pelo amor impossível e por isso escrevem versos e mais versos sobre a dor e a tristeza ou, ao contrário, sobre as imensas belezas da vida quando sua paixão está por perto. Como romantismo nunca foi meu forte, acho que acabei criando uma restrição com esse gênero. Também nunca gostei das longas poesias, lotadas de versos e estrofes que pareciam intermináveis.
Entretanto, com o passar dos tempos, descobri - algo que parece óbvio para a maioria dos letrados - que existem grandes poetas que falam sobre diversas outras coisas e usam e abusam da inteligência, de ironias e sarcamos, que falam do cotidiano, da vida, do mundo, de amigos, enfim, de qualquer assunto que não seja necessariamente ligado ao extremo sofrimento ou à extrema alegria de um amor (mal resolvido ou não). Meu conhecimento sobre poetas é bastante limitado, mas gosto muito de dois: Bertold Brecht e Paulo Leminski. 
Hoje vou deixar indicações relativas ao meu conterrâneo, filho de pai polonês e mãe negra, - e achei isso interessante pela raridade do fato - já que meu conhecimento sobre sua vida e sua obra não tem nenhuma conclusão minha propriamente minha, logo, se eu fosse escrever sobre ele seria apenas uma repetição  do que outros já fizeram sem acrescentar nada. Primeiro, vou postar a poesia dele que mais gosto, depois vou colocar alguns links que falam sobre sua vida e sua obra.

Profissão de Febre



Quando chove, eu chovo,

faz sol, eu faço,

de noite, anoiteço,

tem deus, eu rezo,

não tem, esqueço,

chove de novo, de novo, chovo,

assobio no vento, daqui me vejo,

lá vou eu, gesto no movimento

22 de abril de 2010

Invictus

Invictus - com Morgan Freeman e Matt Damon; direção de Clint Eastwood. 2009, 133 minutos.

Esses dias eu havia postado no Twitter que estava com vontade de ver um bom filme. Terça dei uma passada no cinema, com minha namorada só para conferir se haveria algum filme naquele momento e, veja só, Invictus estava de volta a um horário descente, ao contrário dos meses que ficou em exibição apenas à noite. Como já estávamos curiosos para assistir, fomos.
A ideia principal é mostrar como Nelson Mandela enxergou na Copa do Mundo de Rugby, realizada na África do Sul em 1995, a possibilidade de começar a unificação dos sulafricanos, que viviam - e ainda vivem em menor proporção - os efeitos do regime do Apartheid que segregou brancos e negros por décadas. 
As interpretaçoes de Damon e Freeman foram ótimas. Apesar do primeiro ter tido um papel menor na trama, quando aparece, não decepciona. O segundo, em compensação atuou de uma forma irrepreensível. Mais chocante ainda é conhecer um pouco melhor o próprio Mandela e tentar realmente entender como um homem conseguiu enxergar as coisas que ele enxergou, pensar como ele pensou e, principalmente - como é dito no filme, perdoar o que ele perdoou.
Apesar do forte apelo emocional, o filme não foi feito para exaltar o ex-presidente sulafricano. Acho que o foco, ou um dos focos, foi como um esporte por unir um país. O rugby era considerado esporte dos brancos, opressores e as cores da seleção, o verde e ouro, as cores do Apartheid. Passando por cima de tudo isso com atitudes fanstásticas, o presidente e a seleção fizeram o impensável: conseguiram que o país todo torcesse pelo seu selecionado, no primeiro gesto de superação de um regime tão traumático. Melhor ainda foi o resultado final do mundial, no qual a África do Sul, pouco acreditada, conseguiu superar  os adversários, inclusive a favoritíssima Nova Zelândia na final.
Não acredito que valha a pena contar algumas cenas, pois poderia estragar boas surpresas que o filme trás. Apesar do tema tão sério e algumas situações pesadas, a trama é leve e as duas horas e pouco nem são sentidas. Para acabar, vou postar o poema escrito por William Ernest Henley em  1875 (e publicado em 1888) que dá nome ao filme e que, segundo o mesmo, Mandela usou como apoio espiritual durante os 27 anos que ficou preso.

Out of the night that covers me,
Black as the pit from pole to pole,
I thank whatever gods may be
For my unconquerable soul.


In the fell clutch of circumstance
I have not winced nor cried aloud.
Under the bludgeonings of chance
My head is bloody, but unbowed.


Beyond this place of wrath and tears
Looms but the Horror of the shade,
And yet the menace of the years
Finds and shall find me unafraid.


It matters not how strait the gate,
How charged with punishments the scroll,
I am the master of my fate:
I am the captain of my soul.


Tradução:


Noite à fora que me cobre
Negra como um breu de ponta a ponta,
Eu agradeço, a quem forem os deuses
Por minha alma incansável.

Nas cruéis garras da circunstância
Eu não fiz cara feia ou sequer gritei.
Sob as pauladas da sorte
Minha cabeça está sangrenta, mas não rebaixada.                 

Além deste lugar de raiva e lágrimas
É iminente o horror da escuridão,
E ainda o avançar dos anos
Encontra, e me encontrará, sem medo.

Não importa o quão estreito seja o portão,
O quão carregado com castigos esteja o pergaminho,
Eu sou o mestre de meu destino;
Eu sou o capitão de minha alma.

Essa tradução foi copiada de: http://www.mariaaugusta.com.br/2010/02/11/nelson-mandela-invictus/